A vida de São Francisco de Assis

 

1. Juventude (1181-1205) – Francisco cresce no meio da juventude de Assis. Estes são os anos da formação de seu caráter: pessoa alegre, brilhante, gosta de participar de festas com seus amigos. Exerce uma profissão: trabalha com o pai Pietro Bernardone, na loja de tecidos. Tendo viajado à França, aprende a língua francesa. Nos momentos de alegria servir-se-á deste idioma para exprimir sua alegria. Aprende a ler e escrever o latim. Participa do ambiente político e militar vivido por Assis. Toma parte numa batalha, é feito prisioneiro e, por fim, cai enfermo.

 

2. A conversão (1205-1208) – Nesse período de sua “conversão”, Francisco muda de vida e se torna penitente. Os episódios deste período são, de modo particular, aqueles que ele mesmo menciona em seu Testamento: o encontro com o leproso, a oração nas igrejas e o encontro com o Crucifixo de São Damião. Tudo indica que neste período Francisco está sozinho em sua busca.

 

3. A primeira fraternidade (1208-1216) – A Francisco se unem irmãos de diferentes estratos sociais. O crescimento interior de Francisco se fez em função da experiência positiva e criativa da fraternidade. O período é constituído pelos “anos mágicos” das origens da experiência fraterna. Francisco e seus primeiros companheiros nunca se esquecerão desse tempo. O período em questão pode ser caracterizado pela chegada dos irmãos que dão nascimento e vida à Fraternidade. Os irmãos que foram chegando constituíam, no dizer de Francisco, um dom do Senhor, presente inesperado. No final dos anos aqui mencionados começam a surgir os primeiros problemas com o vertiginoso crescimento do grupo.

 

4. Expansão da Fraternidade e primeiras dificuldades (1217-1219) – A Fraternidade já se apresenta numerosa. Foi se transformando com a chegada dos irmãos “letrados” nos anos 1215/1216. Por ocasião do Capítulo de 1217, a Fraternidade passa a ter uma nova organização com a instituição dos “ministros provinciais” e com a estruturação em “províncias”. Começa a expansão além dos Alpes com uma primeira expedição mal constituída ou formada e a presença ultramarina melhor sucedida. Francisco encontra-se com Cardeal Hugolino que começa a intervir na Fraternidade, que aos poucos vai constituir-se em Ordem Religiosa.

 

5. Oriente (verão de 1219-verão de 1920) - Francisco está no Egito, no acampamento dos cruzados. Depois do Capítulo de 26 de maio de 1219, no final do qual se decidiu o envio de irmãos para além dos Alpes, Francisco, por sua vez, parte para o Oriente. Entre as razões para esta viagem pode-se supor a permanência do desejo do martírio, a vontade de pôr em prática determinações do Capítulo que queria enviar os frades em missão, fora da Itália. A permanência no Oriente, ocasião em que Francisco contrai uma dolorosa enfermidade das vistas, parece ter sido uma experiência de grande importância em seu percurso e se apresenta como divisor de águas em seu caminho.

 

6. Retorno e pedido de demissão (setembro 1220) - Tendo sido chamado por alguns frades, ele mesmo muito preocupado com os problemas da Ordem, Francisco volta à Itália no verão de 1220. Obtém do Papa a determinação de que o Cardeal Hugolino venha a ser o protetor da Ordem e no Capítulo de São Miguel (29 de setembro de 1220) apresenta sua demissão.

 

7. Anos de provação e de apostolado (1220-1224) - Aparecem dois elementos aparentemente contraditórios: de um lado uma atividade evangelizadora intensa, documentada em suas cartas circulares e, de outro lado um certo isolamento da Ordem como consequência de sua demissão. Fala-se de uma “crise” de Francisco. Manifestam-se sintomas do avanço de enfermidades (fígado e estômago, além da doença das vistas). No período em questão emerge um Francisco que sofre no corpo e na alma. No final desse período situa-se o episódio de Greccio, a celebração do Natal (1223).

 

8. Os estigmas (setembro de 1224, no alto do Monte Alverne) - Aqui não se trata de um período, mas de fato singular. No âmbito de toda a trajetória de Francisco a estigmatização deixa marca profunda. Segundo Cesare Vaiani não se pode deixar de colocar o fato nessa “periodização” da vida de Francisco. Os estigmas não constituem o centro da vida e da experiência de Francisco para o qual convergiria, como parecem crer alguns de seus biógrafos. O episódio coloca-se na esteira de todo um labor espiritual do Poverello e, quem sabe, se poderia dizer que os estigmas seriam uma resposta de Deus ao que Francisco estava vivendo. Depois do Alverne ele conhecerá a paz da cruz.

 

9. Os dois últimos anos (1224-1226) – Francisco vive cercado de alguns poucos companheiros que dele cuidam, protegem e, de certo modo, isolam-no da Ordem. Durante a estadia de cinquenta dias em São Damião, na primavera de 1225, dita o Cântico do Irmão Sol. Tem vontade de se ocupar novamente dos leprosos, como no começo, realiza um giro de pregações. O Testamento prova que mesmo demissionário não deixou de cuidar dos irmãos. No atual período, Francisco está muito doente e um pouco isolado.

 

10. A morte (3 de outubro de 1226) – Nas primeiras vésperas do domingo 4 de outubro, Francisco morre na Porciúncula, deitado na terra nua.